Tourencinho, em Vila Pouca de Aguiar, vai ser palco de uma “escola de ativismo” para formar a comunidade e prepará-la para resolver problemas ambientais, fortalecer os elos entre os seus membros e atrair mais habitantes para as zonas de baixa densidade. A organização é da ZERO e da Transitar. A iniciativa irá capacitar a comunidade para atuar na defesa do seu território e contribuir para que as suas preocupações sejam refletidas nas decisões políticas sobre sustentabilidade.
O projeto “Semear Ação” vai mostrar em Trás-os-Montes como o ativismo climático e a proteção do património ambiental são uma chave para fortalecer as comunidades, fixar pessoas e atrair novos elementos para os territórios de baixa densidade. No próximo sábado, 5 de abril, o Pacto Climático Europeu e as associações ambientalistas ZERO e Transitar vão a Tourencinho, Vila Pouca de Aguiar, participar na etapa transmontana do “Semear Ação”, uma iniciativa dinamizada localmente pela Associação Cultural e Recreativa de Tourencius dos Xudreiros (ACRTX).
“O principal objetivo do ‘Semear Ação’ é oferecer às comunidades das regiões onde ocorre ações de formação e de capacitação para lutarem pela defesa das suas áreas com maior valor ecológico face às alterações climáticas”, afirma Rita Prates, da ZERO, a associação ambientalista que coordena em Portugal o Pacto Climático Europeu. “Os movimentos de cidadãos têm impacto político, sendo necessário cada vez maior envolvimento da população em temas que impactam as suas comunidades, como temos visto em movimentos recentes a respeito da mineração, de abate de sobreiros ou mesmo do caso dos jacarandás em Lisboa”. No fim de semana anterior o “Semear Ação” teve iniciativas nas Caldas da Rainha e em Pombal.
A proximidade das eleições legislativas de 18 de maio trouxe o despovoamento do interior para a agenda política nacional. “Nesta ação em Tourencinho queremos destacar a importância de políticas que promovem a fixação de pessoas no interior do país e o combate ao despovoamento”, afirma Rita Prates. Segundo a ambientalista da ZERO, essas medidas terão de ser ambientalmente sustentáveis, única forma de tornar esse repovoamento das regiões estrutural e atrativo para as novas gerações.
“Numa zona rural, as sementeiras começam a fazer-se por esta época: este ano decidimos, não só semear legumes, mas também trazer a ação ambiental para a nossa terra”, afirma Sara Barreiro, da Associação Cultural e Recreativa de Tourencius dos Xudreiros. “Não existe atividade mais fértil do que o ‘Semear Ação’ para trocar sementes de ideias entre gerações e plantar iniciativas que estabeleçam laços cooperativos que enalteçam a necessidade de cuidar do local onde vivemos, para que outras pessoas encontrem o seu lar aqui também”. Segundo Sara Barreiro, “a ação climática é crítica para estruturar comunidades mais resilientes e com formas de vida mais prósperas e sustentáveis”.

Mural do Clima, almoço comunitário e caminhada interpretativa
O programa de sábado começa às 10:00 na sede da ACRTX, um antigo apeadeiro da Linha do Corgo, reabilitado e transformado em espaço cultural. Será aí que irá decorrer o Mural do Clima, um workshop didático que permite perceber os fenómenos que estão a desencadear as alterações climáticas e de como é possível agir para as enfrentar. Todo o jogo se desenrola numa lógica de causa-consequência, transmitindo conhecimento e sublinhando os fenómenos físico-químicos que estão em curso no planeta devido às alterações climáticas. O Mural do Clima é um workshop científico, baseado no trabalho das Nações Unidas, que é disponibilizado em Portugal pela associação Transitar.
“A lógica do Mural do Clima parte da consciência de que só poderemos obter mudanças se a sociedade estiver consciente do problema ambiental que enfrenta e de quais são as ferramentas para o mitigar”, afirma Aurore Delaunay, a presidente da Transitar que irá coordenar o Mural do Clima em Tourencinho. “A transmissão de conhecimento que o Mural do Clima proporciona é um impulso, e um impulso importante, para iniciativas de mudança: ambas contribuem para ajudar os cidadãos a remover o sentimento de impotência que a gravidade das alterações climáticas lhes impõe”.
Depois do Mural do Clima terá lugar um almoço comunitário, após o qual haverá uma caminhada interpretativa por um percurso rural pontuado por fragas e cascatas. Estão previstas visitas a um moinho de água em funcionamento e a um forno comunitário onde antigamente se cozia olaria preta.
O Pacto Climático Europeu é uma iniciativa central do European Green Deal promovido pela União Europeia. O seu objetivo é mobilizar as comunidades na Europa para os investimentos, atividades e processos que sejam progressivamente menos dependentes dos combustíveis fósseis e da emissão de outros gases com efeito de estufa, promovendo a transição para modos de vida mais seguros e saudáveis e para uma economia sustentável.
A Transitar é uma organização ambiental que promove iniciativas de educação e capacitação dos indivíduos para a transição ecológica, acompanhando as comunidades e organizações em Portugal na sua transição. Quer contribuir para a mobilização coletiva e informada da população portuguesa para a causa ambiental, em particular para as causas e consequências das alterações climáticas e da perda de biodiversidade, entre outros.