Morreu o antigo deputado Eurico Figueiredo, aos 86 anos, no Hospital de Santo António, no Porto, onde se encontrava há alguns dias, vítima de complicações relacionadas com infeção por gripe A, avançou a RTP.
Natural de Justes, Vila Real, onde nasceu em 1939, e filho do médico-escritor vila-realense Otílio Figueiredo, Eurico Figueiredo foi professor catedrático de Psiquiatria e Saúde Pública no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto, sendo reconhecido como um dos mais notáveis no ensino e desenvolvimento desta área em Portugal.
Notabilizou-se no combate à ditadura, tendo sido preso três vezes pela PIDE, onde foi forçado ao exílio em 1965. Fugido para a Suíça, viveu por lá até 1976, desenvolvendo a partir de lá a sua atividade política em ligação com Portugal, através de Jorge Sampaio, Manuel Alegre e Piteira Santos.
Esses esforços valeram-lhe a condecoração com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 1997, pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio.
No campo político, foi militante do Partido Comunista Português (PCP) desde que atingiu os 18 anos, tendo posteriormente abandonando o partido aquando da entrada das tropas russas na Checoslováquia, em 1967, em protesto pelo sucedido.
Militou no Partido Socialista (PS) de agosto de 1974 até 1999, de onde se desfiliou em discordância com o rumo do partido sob a liderança de António Guterres.
Foi deputado de 1983 a 1985 e de 1991 até 1999, tendo assumido o cargo de deputado à Assembleia da NATO e Presidente da Comissão da Administração do Território e Poder Local. Foi durante a sua passagem pela Assembleia da República que redigiu o relatório deste órgão sobre a regionalização publicado em 1997, onde se distinguiu pela defesa da identidade transmontana e da integridade do Douro.
Foi ainda autor de diversos livros como “Guerrilheiro Sentimental, Estórias de Exílio”, “A Agave Só Floresce Uma Vez”, “O Rio Da Amargura” e “Estorietas Vadias”.