Cerca de 300 quilos de uvas foram despejados esta quarta-feira em frente à sede do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), na Régua, num protesto de viticultores para alertar para as dificuldades de escoamento da produção durante a atual vindima.
A iniciativa foi promovida por agricultores ligados à Associação Lutar pelo Douro. Joaquim Monteiro, membro da associação e viticultor de Ervedosa do Douro, em São João da Pesqueira, disse à agência Lusa que persistem dificuldades na venda das uvas e incerteza quanto aos preços pagos aos produtores.
“Ninguém quer comprar uvas, não há preço, não sabemos o que vamos receber, vai ficar muita uva na videira”, afirmou.
Com as vindimas a intensificarem-se na Região Demarcada do Douro, Joaquim Monteiro garante que vários produtores ainda não sabem a quem vão vender parte da produção.
Segundo explicou, alguns viticultores têm apenas assegurada a venda das uvas correspondentes ao benefício, ou seja, à quantidade autorizada para produção de vinho do Porto, permanecendo sem destino a restante produção. O responsável afirma que existem também empresas que este ano não estão a adquirir sequer a totalidade das uvas destinadas ao benefício.
“Há quem não queira nem benefício nem Denominação de Origem Controlada (DOC) Douro. O problema no Douro está-se a agudizar de ano para ano”, sustentou.
No seu caso, Joaquim Monteiro prevê colher o equivalente a cerca de 30 pipas de vinho, de 550 litros cada, mas diz ter assegurada, até ao momento, apenas a venda das uvas destinadas à produção de vinho do Porto.
O protesto junto à sede do IVDP procurou chamar a atenção do instituto e do Governo para a situação e reclamar medidas para apoiar os produtores.
Entre as soluções defendidas está um mecanismo para encaminhar uvas para destilação, mas em moldes diferentes dos aplicados na vindima anterior. Joaquim Monteiro defende que um eventual apoio seja atribuído diretamente aos viticultores.
O representante da Associação Lutar pelo Douro aponta ainda os elevados custos de produção como um dos principais problemas enfrentados pelo setor. Alega também existir entrada e circulação irregular de vinho na região posteriormente comercializado como Douro, uma acusação que não é acompanhada, na informação disponível, de dados ou elementos que permitam comprová-la.
Joaquim Monteiro considera que os viticultores se sentem “abandonados” e alerta para o risco de abandono das explorações caso a falta de rentabilidade se prolongue.