O incêndio que deflagrou na terça-feira em Nogueira, no concelho de Boticas, aproximou-se durante a madrugada das habitações da aldeia, obrigando a uma intervenção reforçada dos bombeiros. O fogo entrou em fase de resolução às 2.30 horas desta quarta-feira, depois de uma mudança brusca na direção do vento ter empurrado as chamas para junto das casas.
“Foi uma noite de sobressalto”, descreveu à Lusa o presidente da Câmara de Boticas, Guilherme Pires, explicando que o incêndio inicialmente não representava perigo para a população, mas acabou por mudar de direção devido à intensidade do vento.
As chamas passaram “muito rente às casas” e atingiram uma habitação devoluta, além de pinheiros e mato. As habitações e os terrenos agrícolas da aldeia, contudo, não foram atingidos.
Segundo o autarca, a existência de uma faixa de contenção limpa, a alteração favorável da direção do vento e a intervenção dos bombeiros contribuíram para impedir que o fogo chegasse às casas. O reforço de meios ocorreu cerca das 23.00 horas de terça-feira.
Às 10.30 horas desta quarta-feira permaneciam no local 101 operacionais, apoiados por 32 viaturas e dois meios aéreos, segundo a informação disponibilizada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
Este foi o terceiro incêndio registado desde sábado na freguesia de Ardãos e Bobadela. Dois dos fogos ocorreram em Nogueira e outro teve início em Ardãos, tendo posteriormente atingido o concelho vizinho de Montalegre.
Guilherme Pires afirmou suspeitar de uma origem criminosa nos incêndios, embora não exista, até ao momento, confirmação oficial sobre as causas. “A origem, presumo que seja criminosa”, afirmou, acrescentando que a freguesia tem sido “muito fustigada pelos fogos”.
O autarca relacionou ainda a propagação das chamas com as condições meteorológicas, nomeadamente o calor intenso que se tem feito sentir na região.
O distrito de Vila Real permanece entre as zonas do país com maior risco de incêndio. Cerca de 60 concelhos do interior Norte e Centro enfrentam esta quarta-feira perigo máximo, enquanto cerca de 90 municípios, distribuídos por vários distritos, estão em perigo muito elevado, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
A previsão aponta, contudo, para uma descida das temperaturas ao longo dos próximos dias, o que deverá contribuir para uma melhoria das condições de risco de incêndio.