A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) criticou a forma como foram anunciadas as intenções do Governo relativamente ao recrutamento de médicos de família, defendendo maior transparência e garantias efetivas de execução no que diz respeito a decisões estruturais para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Em causa está o anúncio feito a 11 de abril, durante o 43.º Encontro Nacional de Medicina Geral e Familiar, onde foi admitida a possibilidade de abertura da totalidade das vagas solicitadas pelas Unidades Locais de Saúde (ULS). Para a FNAM, esta medida não representa uma concessão, mas sim uma obrigação mínima perante o atual défice de profissionais.

Segundo dados referidos pela federação, serão necessárias, pelo menos, 800 vagas para responder às necessidades existentes, número que reflete, na sua perspetiva, anos de desinvestimento e falta de planeamento no setor.

A FNAM alerta, contudo, para o risco de o anúncio não passar de mais uma promessa sem concretização, sublinhando que o reforço da Medicina Geral e Familiar não pode continuar dependente de decisões políticas consideradas instáveis.

A estrutura sindical considera ainda insuficiente a invocação de estudos técnicos por parte da Direção Executiva do SNS ou de outras entidades, defendendo que esses dados devem ser tornados públicos e sujeitos a escrutínio. Só assim, sustenta, será possível garantir que as medidas adotadas correspondem às reais necessidades no terreno, há muito identificadas pelos profissionais.

Para a FNAM, o SNS necessita de respostas concretas, com prazos definidos e mecanismos de verificação, que assegurem condições de trabalho adequadas para os médicos e garantam o acesso generalizado a cuidados de saúde primários.

A federação garante que continuará a acompanhar o processo, mantendo uma posição de exigência na defesa dos profissionais e da qualidade dos cuidados prestados à população.