Morreu esta terça-feira, dia 21 de outubro, o antigo primeiro-ministro português, Francisco Pinto Balsemao, aos 88 anos.

A notícia foi avançada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, durante uma reunião do Conselho Nacional do Partido Social Democrata (PSD), tendo-se ouvido vários aplausos na sala.

Poucos minutos depois, o Grupo Impresa, grupo de comunicação social fundado por Balsemão, tornou publico um comunicado onde adiantava que a morte aconteceu “de causas naturais” e que “os seus últimos momentos foram acompanhados pela família”.

Detentor de um percurso notável, Francisco Pinto Balsemão aparece em destaque ainda durante o Estado Novo ao ser eleito para a Assembleia Nacional, nas listas da União Nacional, na chamada “Ala Liberal”, tendo como companheiros de bancada José Pedro Pinto Leite, Sá Carneiro, Magalhães Mota, Mota Amaral e Miller Guerra. Acabou por se demitir após a saída de Sá Carneiro, em 1973.

Em 1974 fundou o Partido Popular Democrático (PPD), com Francisco Sá Carneiro e Joaquim Magalhães Mota, que adotou depois o nome de Partido Social Democrata (PSD). Chegou ao governo pelas mãos do companheiro de partido e amigo Francisco Sá Carneiro nas listas da Aliança Democrática, em 1979, na qualidade de Ministro de Estado Adjunto do Primeiro-ministro no VI Governo Constitucional.

Com a morte prematura de Sá Carneiro, em dezembro de 1980, no trágico Acidente de Camarate, tornou-se o primeiro-ministro do VII Governo Constitucional (1981) e do VIII Governo Constitucional (1981-1983), ambos apoiados pela Aliança Democrática, que juntava PSD, CDS-PP e PPM.

Fora da política, Francisco Pinto Balsemão, teve uma carreira notável no jornalismo, ao fundar, em 1973, o semanário Expresso, ainda durante o Estado Novo. Em 1992, foi pioneiro ao fundar o primeiro canal privado de televisão português, a Sociedade Independente de Comunicação (SIC). Já no início do século XXI, voltou a fazer história ao lançar o primeiro canal de notícias, a SIC Notícias.

Atualmente era membro do Conselho de Estado, órgão consultivo do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A 16 de setembro, através de uma mensagem escrita, fez a sua última intervenção pública ao manifestar o apoio ao candidato presidencial Luís Marques Mendes, ex-presidente do PSD, onde se mostrava confiante na vitória nas eleições presidenciais, lembrando que não será fácil, dada a existência de “candidatos para todos os gostos” e uma “saturação de eleições muito próximas”. Nessa missiva recordou ainda “uma população ainda ferida pela calamidade dos incêndios e o brutal acidente em Lisboa com as dolorosas consequências que todos lamentamos”.

Luís Montenegro anunciou que o Governo irá decretar um dia de luto nacional para a data do funeral de Francisco Pinto Balsemão.

Créditos imagem: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA