Dezenas de viticultores concentraram-se, na passada sexta-feira, em frente ao Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), no Peso da Régua, para exigir medidas que garantam o escoamento da produção e preços justos para as uvas na próxima vindima.

A iniciativa foi promovida pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e pela AVADOURIENSE – Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense, que entregaram ao IVDP um documento com as principais reivindicações dos produtores.

Entre as preocupações manifestadas está a possibilidade de algumas casas compradoras não adquirirem uvas durante a próxima vindima. Segundo as organizações, os pequenos e médios produtores enfrentam dificuldades para escoar a produção e suportam custos de produção elevados, numa situação que consideram insustentável.

Os viticultores defendem a obrigatoriedade de contratos de compra, com preços mínimos para as uvas fixados pelo Estado, e a proibição da aquisição de uvas a valores inferiores aos custos de produção. As organizações consideram que estas medidas devem ser aplicadas já na próxima vindima.

Entre as restantes reivindicações está o aumento do quantitativo do benefício, ou seja, da quantidade de mosto que cada produtor pode destinar à produção de vinho do Porto. É também reclamada a utilização de aguardente regional na produção de vinho generoso e a criação de uma medida de destilação de crise dirigida prioritariamente às produções dos associados das adegas cooperativas e aos produtores que não tenham adquirido vinhos a terceiros.

A concentração ocorreu poucos dias depois de o Governo, através do IVDP, ter apresentado um novo Plano para o Douro. Para a CNA e a AVADOURIENSE, contudo, a situação exige medidas concretas e imediatas, considerando que a implementação de algumas soluções não pode ser adiada para além da próxima campanha.

As organizações afirmam que vão continuar a acompanhar a concretização das medidas reclamadas e admitem avançar para novas formas de luta caso não sejam tomadas medidas durante a próxima vindima.