O diretor do serviço de cardiologia da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), José Ilídio, afirmou que a unidade ambiciona realizar, em Vila Real, intervenções cardíacas percutâneas, como a implantação de próteses valvulares sem cirurgia convencional, para responder ao aumento de doentes com estas patologias. Esta intenção foi expressa no contexto de uma carta subscrita por quatro serviços de cardiologia do Norte dirigida à tutela, alertando para as listas de espera de doentes que necessitam de cirurgia ou intervenção valvular.

José Ilídio garantiu que a criação de capacidade para este tipo de procedimentos “não é um esvaziamento de serviços” nos centros de referência existentes, nomeadamente nos hospitais de Vila Nova de Gaia/Espinho e São João, no Porto, que continuam a ser fundamentais na resposta a casos complexos.

O responsável explicou que o número de doentes candidatos a estas intervenções tem vindo a crescer, em grande parte devido ao envelhecimento da população, e que a resposta atual, embora eficaz, enfrenta limitações face à procura crescente.

A proposta da ULS de Trás-os-Montes surge num debate mais amplo sobre a capacidade da rede hospitalar do Norte de Portugal em responder às necessidades em cardiologia intervencionista, sem comprometer a atividade dos centros de referência já existentes.