Os trabalhos agrícolas, as limpezas de terrenos e o uso do fogo estão entre as principais causas dos incêndios nas Terras de Trás-os-Montes, tendo-se registado este verão um aumento das ocorrências associadas a estas atividades. A baixa humidade e a secura da vegetação aumentam o risco de uma simples faísca desencadear um incêndio.
“Há duas grandes causadoras de incêndios: os trabalhos agrícolas, com roçadores e destroçadores, e a queima de sobrantes e as queimadas”, afirmou à Lusa Noel Afonso, comandante sub-regional da Proteção Civil das Terras de Trás-os-Montes, referindo-se ao apuramento de causas efetuado pela GNR.
Embora considere ainda cedo para fazer um balanço do verão, o responsável reconhece um aumento dos fogos associados às limpezas. “Notou-se mais que o normal este verão”, afirmou.
Uma primavera muito chuvosa levou também à realização mais tardia de alguns trabalhos agrícolas, numa altura em que a vegetação se encontra mais seca. “Qualquer pequena fagulha ou faísca provoca um incêndio”, alertou Noel Afonso.
O comandante sub-regional considera que as condições se alteraram nas últimas décadas, apontando as temperaturas mais elevadas e a menor humidade como fatores que tornam a propagação das chamas mais rápida.
“As alterações climáticas nos incêndios notam-se de uma forma muito vincada”, salientou.
A vaga de calor que o distrito de Bragança atravessa já no outono é também, segundo o responsável, demonstrativa de que “já não existe a chamada época de incêndios”, levando as autoridades a manter diferentes níveis de prontidão ao longo de todo o ano.
“Vamos ter cada vez incêndios mais rápidos, mais violentos e mais devastadores”, concluiu.