A solenidade dos grandes Portos antigos e a vitalidade da celebração do fruto-rei do verão duriense. A Quinta do Mourão, propriedade da Falua, acolhe a 11.ª edição da Festa do Tomate Coração de Boi do Douro, dia 21 de agosto, num encontro que une charme duriense e sabores autóctones de época.

O Concurso do Tomate Coração de Boi do Douro veste em 2026 um simbólico e tentador contraste, cruzando o silencio das caves de Vinho do Porto em envelhecimento com a vivacidade de um concurso e festa gastronómica fora da caixa. Marcado para o dia 21 de agosto, na Quinta do Mourão, o evento acontece, este ano, à beira-rio, em terras de Cambres, Lamego, num lugar com história centenária e extraordinário património de Vinho do Porto.

De regresso à mesa da prova, dia 21 de agosto à tarde, o Tomate Coração de Boi do Douro (TCBD) volta a agregar especialistas para eleição do melhor tomate da temporada, integrando o júri chefes de cozinha de referência, enólogos, jornalistas e outros atores na área da gastronomia. Esperam-se mais de 20 concorrentes, a maior parte produtores de vinhos do Douro, que amarraram a iniciativa desde a primeira hora.

À semelhança das edições anteriores, após a avaliação do tomate em concurso, tem lugar, a partir das 18h00, o jantar volante, animado por uma mesa de sabores à volta do tomate e vinhos das quintas concorrentes. Este é um momento de convívio que se afirma, ano após ano, como ponto de encontro de referência entre produtores de vinhos e tomate do Douro, assim como de entusiastas do TCBD, locais e visitantes.

Para completar a experiência gastronómica, a Quinta de Mourão organiza duas provas especiais na cave Port Knox, o local onde estagiam e envelhecem os seus Vinhos do Porto. Assim, durante os dias 21 e 22 de agosto, estarão disponíveis duas provas de Vinhos do Porto antigos para os entusiastas do TCBD, com 20% de desconto: a prova Silver, focada em Vinhos do Porto Tawny e White envelhecidos (70€/pessoa) e a prestigiada prova Mothers & Sons, que inclui referências de Portos de 30 e 40 anos e as históricas colheitas Mother Wine de 1972 e 1948 (212€/pessoa). As provas estão agendadas para as 11h00, 12h30, 14h30 e 16h00, em ambos os dias, e têm vagas limitadas.

A participação no jantar do dia 21 tem um custo de 90 euros. As inscrições para o encontro, bem como para as provas especiais, são limitadas e requerem reserva e pagamento prévios via e-mail (greengrape@greengrape.pt).

Tomate nos restaurantes e festa na aldeia

Este ano alargado a todos os municípios da região do Douro, o festival Tomate à mesa (a)gosto todo conta com a participação de mais de 30 restaurantes, reforçando a oferta de propostas para saborear o tomate coração de boi na sua plenitude.No âmbito desta iniciativa, durante todo o mês de Agosto, os restaurantes de referência da região incluem nas suas ementas pratos inspirados no tomate.

O programa da festa TCBD inclui ainda o encontro Tomate à Capella, na praça da Capela Barroca de Arroios, dia 22 de agosto, a partir da 17h30. Este mercadinho e convívio na aldeia de Arroios, às portas de Vila Real, conta com uma prova de tomate, azeite e flor de sal na capela. Haverá também

música, animação e petiscos, provas de degustação e venda de vinhos DOC, Douro e Porto, produtos locais e regionais e muito tomate à venda.

Festa valoriza produtos autóctones

Evento anual de valorização dos produtos autóctones do Douro vinhateiro Património da Humanidade e de Trás-os-Montes, o TCBD começou por ser uma iniciativa informal de três amigos, sendo atualmente o maior evento gastronómico da região duriense. A edição de 2026 é promovida pela Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), envolvendo 19 municípios da região. A organização é da Greengrape. O Tomate à Capella conta também com organização da Associação Cultural e Desportiva de Torneiros e apoio da Junta de Freguesia de Arroios.

“Os produtos agrícolas tradicionais desempenham um papel de relevo no desenvolvimento sustentável das comunidades locais, existindo no Douro frutos e legumes de reconhecida qualidade, além da uva. O tomate coração de Boi é um deles e a festa que o promove tem um forte impacto na região, provando a importância da valorização destes produtos”, comenta o presidente da CIM Douro, João Gonçalves, lembrando a “capacidade de atração da iniciativa”, desde logo junto dos produtores de vinhos do Douro, mas igualmente de visitantes da região.

Informal, festiva e itinerante, a festa conta com a participação dos principais produtores de vinhos do Douro. Iniciou na Quinta Dona Matilde, passou pela Quinta de la Rosa, Quinta do Vallado, Quinta de Ventozelo, Quinta de Nápoles (Niepoort), Quinta do Seixo, Palácio de Mateus, Quinta da Pacheca e Quinta do Mourão (este ano).

Quinta histórica com portefólio de Portos únicos

A Quinta do Mourão é a mais recente aposta da Falua no Douro, que detém também, na região, a Quinta de São José. Atualmente, a Falua tem  cerca de 100 hectares no Alto Douro Vinhateiro, dos quais aproximadamente 65 são de vinha.

Com uma história secular e várias gerações dedicadas à produção de grandes vinhos do Porto, a Quinta do Mourão está intimamente ligada à Região Demarcada do Douro: já em 1843 constava do “Map of the Douro”, do Barão de Forrester, e foi na casa principal da quinta que o escritor Ramalho Ortigão redigiu parte de “As Farpas” (1885), descrevendo a propriedade com termos elogiosos.

Para além do portefólio de Portos Brancos e Tawny que abrange idades entre os 10 e os 150 anos, incluindo um valioso stock de vinhos antigos, a quinta produz DOC Douro. O enoturismo é outra vertente em crescimento, incluindo na oferta disponível experiências raras em torno dos vinhos mais antigos da casa.