O movimento Via Estreita apelou à suspensão imediata das obras da ciclovia em execução no antigo canal ferroviário da Linha do Corgo, argumentando que a recente aprovação, pela Assembleia da República, de quatro recomendações favoráveis à reabertura da linha ferroviária torna injustificável o avanço da intervenção.
Num documento enviado aos presidentes das câmaras municipais de Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião e Vila Real, Daniel Conde, autor da Petição pela Reabertura da Linha do Corgo e responsável pelo movimento Via Estreita, sustenta que a votação parlamentar de 17 de julho representa um “sinal inequívoco” da intenção política de avançar com a reativação da infraestrutura ferroviária. Segundo o autor, os quatro projetos de resolução apresentados sobre o tema foram aprovados em plenário sem votos contra.
A Assembleia da República aprovou recentemente recomendações ao Governo para a reabertura da Linha do Corgo, uma decisão que resultou de um processo iniciado com uma petição pública lançada em janeiro de 2024 e entregue ao Parlamento em fevereiro de 2025, após reunir mais de mil assinaturas. A petição deu origem a uma audição parlamentar realizada em dezembro do ano passado.
No documento agora divulgado, Daniel Conde critica a atuação das autarquias envolvidas, alegando falta de apoio à recolha de assinaturas e contestando a opção de avançar com a construção de uma ciclovia sobre o antigo traçado ferroviário. O responsável considera que a intervenção poderá dificultar uma futura reativação da linha e recorda que a reabertura da Linha do Corgo está prevista no Plano Nacional Ferroviário desde 2022.
Entre as críticas dirigidas às autarquias, o movimento aponta a ocupação do canal ferroviário entre a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e a freguesia de Mateus, em Vila Real, bem como o prolongamento da ciclovia para outros troços do antigo percurso ferroviário.
O autor do documento questiona ainda a oportunidade do investimento previsto para a obra, estimado em cerca de 1,3 milhões de euros, defendendo que a continuação dos trabalhos poderá implicar custos adicionais caso seja necessário reverter as intervenções para permitir o regresso da circulação ferroviária.
Na comunicação enviada às três autarquias, Daniel Conde solicita que seja determinada, “com carácter de urgência”, a suspensão das obras da ciclovia até que exista uma definição clara sobre o futuro da Linha do Corgo.
A Linha do Corgo ligava originalmente a Régua a Chaves, tendo sido encerrada de forma faseada ao longo das últimas décadas. A sua eventual reabertura tem sido defendida por vários movimentos cívicos e entidades regionais, que consideram a infraestrutura importante para a mobilidade e o desenvolvimento económico de Trás-os-Montes. A aprovação das recomendações parlamentares não tem carácter vinculativo, cabendo ao Governo decidir sobre os passos seguintes do processo.