As declarações da ministra da Saúde sobre a eventual criação de uma Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Tâmega e Barroso voltaram a colocar o futuro do Hospital de Chaves no centro do debate político. O PS acusa Ana Paula Martins de recuar num compromisso assumido em 2024, enquanto o PSD de Chaves rejeita as críticas e garante que continuará a defender a criação da estrutura. A Câmara Municipal convocou, entretanto, uma conferência de imprensa para terça-feira, junto ao hospital.

A polémica surgiu depois da audição de Ana Paula Martins na Comissão de Saúde da Assembleia da República, onde foi questionada pelo deputado socialista eleito por Vila Real, Rui Santos, sobre a criação de uma ULS própria para o Alto Tâmega e Barroso.

Em novembro de 2024, a ministra tinha admitido a possibilidade de avançar com uma estrutura centrada no Hospital de Chaves, embora alertando para a complexidade do processo. Atualmente, o Alto Tâmega e Barroso integra a ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro, juntamente com os territórios do Douro, numa área de influência que abrange 22 concelhos. A criação de uma ULS própria é uma reivindicação antiga na região e já tinha motivado, em 2023, uma tomada de posição conjunta dos seis municípios da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso.

Na sequência da audição parlamentar, o PS acusou a governante de ter “voltado atrás” na intenção anunciada em 2024. Segundo os socialistas, as respostas da ministra levantam agora dúvidas sobre a concretização da nova estrutura, nomeadamente devido à disponibilidade de profissionais para integrar uma eventual ULS e à concentração de recursos e serviços em Vila Real.

Rui Santos questionou igualmente a ministra sobre os cuidados intermédios e o internamento pediátrico no Hospital de Chaves. De acordo com o PS, Ana Paula Martins reconheceu dificuldades na recuperação do internamento de Pediatria a curto prazo, devido à falta de médicos especialistas.

PSD responsabiliza anteriores governos socialistas

O PSD de Chaves respondeu às críticas, recordando os anos de governação socialista e atribuindo também ao PS responsabilidades pela perda de valências no Hospital de Chaves, nomeadamente na Pediatria.

Os sociais-democratas afirmam que continuarão a defender “a criação da ULS do Alto Tâmega e Barroso e a maior capacitação do Hospital de Chaves”, considerando que esta deve ser uma matéria de convergência política na região.

Na resposta, o PSD local alarga ainda as críticas à gestão socialista da Câmara de Chaves, apontando projetos municipais que considera estarem por concretizar, entre os quais a variante de acesso ao hospital.

Câmara de Chaves convoca conferência junto ao hospital

Perante as declarações da ministra, o Município de Chaves anunciou que vai tornar pública a sua posição numa conferência de imprensa marcada para terça-feira, 29 de setembro, às 15h00, junto à entrada da Unidade Hospitalar de Chaves.

A autarquia refere existirem dúvidas quanto à manutenção de compromissos anteriormente assumidos para o território e identifica como principais questões a eventual criação da ULS do Alto Tâmega e Barroso e o reforço da resposta pediátrica.

A discussão acontece num contexto em que a resposta de Pediatria em Chaves tem sofrido limitações e em que a falta de profissionais tem sido apontada como um dos principais problemas da unidade hospitalar.

A conferência de imprensa deverá, assim, servir para o município detalhar as diligências realizadas junto do Ministério da Saúde e assumir uma posição sobre o futuro da organização dos cuidados de saúde no Alto Tâmega e Barroso.