A Assembleia da República aprovou hoje propostas apresentadas pelo Chega, PCP, Livre e BE para a reabertura integral da Linha Ferroviária do Corgo.

A Linha do Corgo constituiu, durante mais de um século, um eixo ferroviário fundamental para as populações de Trás-os-Montes e Alto Douro, ligando Peso da Régua, Vila Real e Chaves ao restante território nacional.

Com uma extensão de cerca de 96 quilómetros, atravessando cinco concelhos do distrito de Vila Real (Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar e Chaves), a linha assumiu-se como um meio de transporte importante, servindo diretamente dezenas de milhares de habitantes, aldeias, vilas, cidades, áreas termais e territórios de elevado valor turístico e patrimonial, como o alto douro vinhateiro.

O encerramento faseado da Linha do Corgo constituiu uma das mais gravosas perdas de infraestrutura pública no interior do país. O troço entre Vila Real e Chaves foi encerrado em 1990, num contexto marcado pela degradação progressiva da oferta ferroviária, pela redução do número de circulações e pela ausência de investimento na modernização da infraestrutura e do material circulante. Em 2009, o troço entre Peso da Régua e Vila Real foi igualmente encerrado para obras de modernização, tendo sido posteriormente abandonado o projeto de requalificação após a remoção da estrutura ferroviária e abandono das estações.

 Com esta aprovação, a Assembleia da República reconhece a importância estratégica da reabertura da Linha do Corgo para promover uma mobilidade mais sustentável, reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, reforçar a coesão territorial e dinamizar a economia e o turismo da região, em particular através da valorização da ligação ao Alto Douro Vinhateiro, Património Mundial da UNESCO.

Esta decisão parlamentar pode ter, também, consequências diretas ao nível do ordenamento do território. Com a aprovação da reabertura da Linha do Corgo, a Ecovia Internacional do Tâmega e do Corgo, no troço entre Vila Real, Santa Marta de Penaguião e Peso da Régua, que representa um investimento de cerca de 1,3 milhões de euros e previa ocupar o canal da antiga linha ferroviária, deixa, nos moldes projetados, de ser viável.